N�o, n�o somos g�ticas, n�o jogamos rpg, odiamos senhor dos an�is, e n�o temos um pentagrama tatuado. Pelot�o Suicida � de qualquer forma um misto de id�ias que se mataram no caminho ou tiveram o triste destino de serem postadas num blog que poucos l�em. Id�ias vindas dessas duas impenetr�veis cabe�as: quem n�o nos conhece que nos compre: Pomba e Zombie.

MSN: pombasuicida@hotmail.com

depaixao@hotmail.com  




 

24/11/2006 02:18



esse blog mudou de endereço
Como tudo na vida é passageiro, depois de três felizes e atribulados anos aqui no Blig, nos mudamos de mala e cuia para o blogspot.
Na verdade, a memoria aqui do Ig acabou e a gente tava afim de se modernizar mesmo - se bem que essa coisa de blog já tá bem demode ne!!
Então,VIsitem-nos, caralho!!

brigadinha!!

www.tetassuicidas.blogspot.com

(zombie)
enviada por Pelotão Suicida



24/06/2006 01:02
COPROFAGIA
Abre os olhos. Fronte ao espelho quebrado no banheiro, a mulher estava fora de si, no seio esquerdo havia o garfo de prata cravado fundo, como se ela quisesse arrancar o coração do corpo. Ela visualiza sua própria imagem com um olhar angustiado cheio de raiva e melancolia: ela ainda o amava, amava tanto seu sangue, seu suor, sua porra, sua merda! Aquele não era só o homem da sua vida, mas a sua razão de viver. Ele a deixara, mas esqueceu de puxar a descarga, ela ensandecida engolira todas as suas fezes como um prêmio, como uma lembrança. Ela o queria, ela o queria dentro dela!
Como uma mosca varejeira ela se lambuzava com aquela pasta marrom, chorando agora jogada no chão ensangüentada, cagada e vomitada, ela sim, queria ser uma mosca, um verme que fosse, pra ficar perto dele, um outro verme maldito, queria ser uma mosca em volta dos seus restos sem que fosse percebida, mas ela já não era percebida mesmo assim. Queria estar presente, queria sentar no seu estrume como se fosse o trono de uma rainha e tocá-lo nos lábios uma última vez.
Alguns dias antes:
O homem chega mais cedo do trabalho e encontra sua mulher enfiando o peixinho dourado do aquário no ânus. Perplexo, ele observa a cena sem se mover. Ela não percebe sua presença e continua a socar com força o peixinho no rabo. O marido enfim se excita e decide entrar em cena: agarra a mulher, a põe de quatro e come o peixinho dourado semivivo. Ela o olha vibrante, como nunca o olhara e diz: me come! Ele obedece.
...
Peixe morto, mulher esporreada, homem satisfeito. Ele vira para um lado e dorme. Ela pensa: preciso arrumar animais maiores.
No outro dia o marido chega em casa e a mulher está de quatro com uma jibóia dentro dela. O homem não se contém e transvia sua senhora de maneira irreversível. Depois disso ele dorme.
Sexo oral com Podle, papai-mamãe com macacos. Ela adorava os animais. E aprendeu muito com eles. Uma das coisas que a mulher descobriu ser apaixonada foi por comer as fezes dos seus parceiros sexuais. E agradava a todos menos o seu marido que nunca parecia satisfeito por completo.
Um dia enquanto seu amor dormia, ela trouxe para sua casa um cavalo, depois de o deixar bastante excitado, colocou o quadrúpede em posição estratégica atrás do marido, tirou a cueca do próprio e o cavalo penetrou fundo no corpo do homem que só teve tempo de dar um uivo e apagar.
A mulher indignada pensa: até assim ele continua dormindo! Saiu chorando e o marido nunca mais acordou.
Ela cozinhou uns ovos, pegou umas torradas abriu as pernas e começou a comer. Uma semana depois cansada daquele ar saudável de solidão enquanto o homem apodrecia ensangüentado no quarto cheio moscas e o cavalo cagava no carpete, ela, com o garfo do bife que acabara de comer, se dirigiu até o banheiro e lá sentiu que apesar de seu esforço ele a deixara sozinha.
Olhou para o espelho, e no seio nu cravou o garfo de prata.
Olhou para a privada. Ele nunca dava a descarga. Mergulhou o braço na água dourada e esfomeada comeu a única coisa que lhe restara de seu homem, a única forma de tê-lo dentro dela. Feche os olhos.

(((Pomba)))


enviada por Pelotão Suicida



21/06/2006 23:35
PARA OS RESIGNADOS: O INSUPERÁVEL MUNDO NOVO
O insuperável mundo novo- e não admirável como a maioria esperava- acaba de chegar e as taxas de natalidade e mortalidade agora serão controladas de outra forma: encarando a morte como bela e adorada pela mídia (e ela não era antes?) e pelos novos publicitários –os antigos, apesar de carregarem uma certa aura hipócrita, não se sentem prontos para encarar o clube do suicídio e as pílulas do renascimento como coisas normais. Eis o mundo dos sonhos, o mundo insuperável dos resignados, abra los ojos meu amigo, é apenas um sonho ruim, e no final está pronto. Tudo acaba com uma lágrima, mas no outro dia já se esquece de tudo e estamos prontos para recomeçar o jogo!
Os arquitetos esquematizam uma forma segura e certeira das pessoas se suicidarem sem erro, com dor ou não, com marcas no corpo, tanto faz! O importante é estar a gosto do cliente. Elevadores cujas paredes vão estreitando-se até a pessoa não ter mais ar, sentir seus ossos quebrarem e seus olhos saltarem do rosto; casas sombrias em que o assassino persegue suas vítimas com diversas armas: foices, martelos, serras elétricas, enfim, o objeto que lhe convir; uma sala em que o impacto causado é como se o prédio fosse atingido por um avião e as pessoas têm a opção de pular ou de se deixar serem queimadas vivas; etc.? sim, sim, etc., etc..
A criminalidade involuntária acabaria, cedendo espaço a um novo comércio em que antes só tinha espaço nos filmes. Milhares de pessoas assistiriam e aplaudiriam os suicidas resignados.
Armas de fogo como presentes de Natal (enquanto houver Natal); suicídios em aniversário, durante o sexo, no jantar, com os mais diversos tipos de morte.
As pessoas morreriam sim, mas sem temer a dor, simplesmente aceitariam o fato de morrer, morrer feliz e em comunidade. Não é legal tio Nietzsche?
Certa vez em uma noite, num sonho dum sono profundo meu, caminhei até um salão imenso em algum lugar distante para viver mais de perto essa idéia, essa experiência. Lá, uma mulher loira, que nem a Uma Thurman no Kill Bill, esfaqueava uma infinidade de mulheres idênticas que estavam em sua volta, enquanto isso, elas dançavam estampando um sorriso cômico em suas caras insanas como se pedissem mais: “Vai! Me machuca! Me corta! Me rasga! Me mata!”
Enquanto eu observava onisciente a cena, algo no tempo me puxa para uma cadeira em algum outro lugar no salão. Lá as pessoas executam jogos interessantes, imitam umas às outras, cada um de pé em frente à sua respectiva cadeira. Naquele espaço havia crianças, velhos e jovens. Todos pareciam muito felizes de estar naquele lugar.
Entra uma mulher de aparência feia, com roupa de ginástica e fala para que todos troquem de lugar que ela tem uma surpresa para o grande grupo. Eu me separo das minhas amigas – dessas que a gente conhece na vida real – e acabo sentando do lado dum sujeito atraente, mas que eu nunca vi na vida, nem em nenhum outro sonho. A baranga esportista pede para que os homens que tivessem mulheres no grupo levantassem a mão. Ele levantou! Maldito filho da puta! Mas não, ela não me chamou, chamou duas outras garotas e falou o seguinte:
- Esperneiem, corram, façam o que puderem no sonho, para tentarem acordar, se vocês não acordarem vocês irão morrer, uma pedra cairá na cabeça de vocês. – Apareceu as meninas dormindo na vida real, e elas apavoradas dentro do sonho falando:
- Essa é a surpresa?!
- Não, a surpresa é a pedra, que vocês vão morrer todos sabem, todos nesse salão, na vida e no sonho irão. – Fala a mulher sorrindo com cara de sonsa e eu acordo.
O insuperável mundo novo não deixa de ser um sonho, em que a vida não tem mais mistério. Ainda mais depois que inventaram a pílula do renascimento.
Aí vou eu de novo:
Eu, em uma noite inconsciente fui a escolhida por cientistas malucos para o interessante experimento:
“...você toma a pílula e engravida de si próprio, nove meses depois você nasce com outras características físicas, sabendo e sentindo tudo o que sabia e sentia antes no antigo corpo, mas agora você é um bebê, que nasce sabendo falar, nasce com mais resistência para caminhar, etc. Enquanto o outro corpo passa a ser um zumbi, um morto vivo, ou seja, o papel dele é apenas auxiliar o seu processo de evolução até que você não precise mais do corpo e tome uma nova pílula para criar um novo ser, assim sucessivamente em busca da eternidade, sem a necessidade de temer um Deus ou de estar sujeito ao poder do capitalismo. Não será necessário mais do que uma pessoa para gerar um ser vivo.”
O problema desse cientificismo todo é que os bebês nascem com diferentes traços, já nasci loira e da última vez fui japonesa. Por isso exigi a união dos seres de aparência aproximada, como uma purificação da raça e questão de identidade também. Anualmente ocorre um congresso, os corpos que irão para o Pelotão Suicida, os quais não tem mais nenhuma utilidade e não evoluem mais como seres humanos e nem colaboram para com o novo perfil da humanidade.
Enquanto isso o corpo que apodrece poderia aproveitar seu resto de vida em um clube divertido do suicídio, em que a mídia oferece com afinco.
A esperança não seria mais necessária. Preocupações? Não, apenas um mundo de seres resignados com a existência de um universo sem mistério, de um espaço vazio, proveniente de química, gases, energias físicas, cálculos matemáticos, a literatura? Uma métrica. A música? Um conjunto de sons. O sexo? Um instinto. As pessoas? Carne apodrecendo. E nada mais do que uma função cerebral aqui e ali.
Enfim, somos aqui como os cavalos, sustentando resignados a carroça preservadora da raça e quem sabe, acreditando ingenuamente de que não somos mais ingênuos e de que desvendamos todos os mistérios.

(((Pomba)))®

enviada por Pelotão Suicida



30/03/2006 00:26
Acordei molhada, encharcada de sangue. Minha cria deve ter saído enquanto eu dormia um sono profundo ilustrado por sonhos roxos cheios de flores e de anjos. Levantei da cama, encostei meus pés no piso frio (que a princípio ocasionaram um choque térmico) e caminhei entre o corredor limitador de espaço (entre roupas atiradas em cadeiras quebradas e calcinhas na pia do banheiro) até chegar na sala. Lá estava ele: devorando os peixinhos dourados do meu aquário, apesar deles parecerem que não se importavam muito com isso- peixe morto ou vivo só é diferente na hora de nadar-.
Ali eu presenciei o triste fim dos seres aquáticos: Rúfalo, Miró, Pasquim e Astro! Que agora devem estar nadando no céu dos peixes ou em hipótese mais pessimista na barriga do meu alienígena.
Sim, o meu alienígena saiu de mim e literalmente puta que pariu! E não me olhe assim (nesse olhar enigmático imaginário barato leitor), todos nós temos seres estranhos dentro de nós. Heterônimos, alter-ego, diabo, bissexualismo, bipolaridade, lombriga, esquizofrenia, chame como quiser! Mas os seres absurdos existem para a discórdia e lá veio ele, parecido com aquele do filme do Alien, ele saiu como um cuspe estúpido de um presidiário com gosto de tabaco na boca!
Tive meu segundo choque do dia, só que esse não era térmico. Olhei para o Alien que também me olhou. Ele se aproximou de minha pessoa de uma forma tão inofensiva que até larguei a antena da TV que naquela altura do campeonato já tinha se tornado minha arma de guerra. Ele foi chegando, e chegando e chegando e eu ainda sentia o calor entre minhas entranhas que o seu corpo deixara em mim no meio da noite, e num estado único e surreal, aquele ser que mais parecia uma formiga gigante me beijou com todas as forças de seu coração e eu já hipnotizada pelo toque cedi àquele ser todo o meu corpo! Acabei sendo abduzida pelo Monstro para dentro de seu coração e de lá eu via meus peixes e a mim própria num cérebro confuso e ambíguo. Um dia, o monstro cansado de seu corpo pesado resolveu me expulsar de lá assim como Adão e Eva foram expulsos do paraíso. Deus meu! Eu devo Ter mordido alguma maçã inspirada em alguma cobra ou alguma outra coisa bem comprida. Por diante, sem rumo, sem chão e nenhuma personalidade vaguei por um tempo no corredor estreito sobre um piso frio de uma casa sem peixinhos até que gotas vermelhas escorreram novamente e antes de pôr meu OB de lá surgiu um novo ser, uma nova esfera que me aproximou de alguma visão nova de mundo, paixão ou realismo.

PS: para todas as pessoas que se envolveram com universos duais e se apaixonaram pelos objetos visuais que foram projetados nas suas retinas e mentes!
(((Pomba)))

enviada por Pelotão Suicida



27/03/2006 01:33
O inquilino
Tudo começou quando eu saí da cabeça da pomba com uma troxinha de cuecas sujas e uma atormentação mental que eu vou te contar, não é mole ser solito no mundo.
Eu morava com minha mãe, a Berta e com meu padrasto, o Cleison, mas o cara ficava brincando com meu bigulinho e eu cresci atormentado com essa idéia, então eu resolvi um dia pegar uma arma que minha mãe escondia (mas eu, esperto do jeito que era sabia onde que ela deixava- dentro dum pote de açúcar) disparei e acertei no bilau do tal Cleison e minha coroa não quis mais saber do velho. Vivemos só eu e ela, mas acho que por falta de sexo ou caduquice da idade, a mulher não me deixava em paz. E aquilo começou a me irritar, era todo dia: - Onde tu vai? Como? Com quem?- Não teve jeito, fui morar dentro da cabeça dessa criatura, mas é muito confuso aqui dentro, tem muita minhoca, muita pentelhação, acho que vou voltar pra casa da minha mãe e se ela me torrar as idéias eu dou um tabefe nela que daí tudo se ajeita, o importante é não se separar da família.
E eles viveram felizes para sempre até que a Berta resolveu matar o Cleidesval (sim, esse era o nome do meu piolho) com um Cleidecide.
(((Pomba)))

enviada por Pelotão Suicida






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